
Para quem aprecia reportagens investigativas, análises sobre crime organizado e narrativas baseadas em fatos reais, os livros de Roberto Saviano se destacam pela profundidade das pesquisas e pela forma acessível de abordar temas complexos relacionados ao poder, à corrupção e às organizações criminosas. O autor ganhou reconhecimento internacional com o livro Gomorra, que revelou detalhes sobre a atuação da Camorra na Itália e impulsionou uma carreira marcada por obras de não ficção, ensaios e investigações jornalísticas de grande repercussão. Entre os principais diferenciais de seus livros estão o rigor na apuração dos fatos, a riqueza de detalhes históricos e sociais e a capacidade de contextualizar fenômenos que impactam diferentes países e sociedades. Na hora da compra, vale observar se a obra tem caráter mais investigativo, histórico ou analítico, além de verificar a edição, a tradução e o período abordado pelo autor para escolher o título mais alinhado aos seus interesses de leitura. Conheça a seleção dos nossos editores para os melhores livros de Roberto Saviano para você comprar online.
Neste livro cativante e rigorosamente documentado, Roberto Saviano reconstrói as temerárias lógicas econômico-financeiras e as fantasias vivas dos clãs do território napolitano e casertano, que conjugam as lógicas empresariais com o fatalismo fúnebre dos samurais da Idade Média japonesa. As mercadorias ""frescas"" ― roupas de grife, videogames, relógios ―, desembarcam diariamente no porto de Nápoles para serem armazenadas e escondidas em prédios propositalmente esvaziados. Já as mercadorias ""mortas"", vindas de toda a Itália e de boa parte da Europa, sob a forma de resíduos químicos, cadáveres e esqueletos humanos, são clandestinamente ""despejadas"" nas terras da região da Campânia. Essa é a Gomorra de hoje, ou melhor, o ""Sistema"". De um lado, uma organização empresarial com impressionantes ramificações por todo o planeta. De outro, um fenômeno criminoso profundamente influenciado pela espetacularização midiática. Nesta reportagem cativante e rigorosamente documentada, Roberto Saviano constrói uma incrível e perturbadora viagem ao criminoso mundo dos negócios da Gomorra. Gomorra já vendeu mais de 2 milhões de exemplares em todo o mundo, e o filme a que deu origem, dirigido por Matteo Garrone, ganhou o Grand Prix em Cannes e será o representante italiano no Oscar.
Zero Zero Zero é a mais fina, pura e cara farinha de trigo, bem como a gíria pela qual os traficantes europeus se referem à cocaína de melhor qualidade. Em seu livro mais recente, Roberto Saviano traça um painel impressionante de como o pó branco liga as principais praças comerciais do mundo e impõe suas tenebrosas regras, seus códigos morais e exércitos, direta ou indiretamente, a todos nós. Da Calábria ao México, da selva colombiana à Rússia, do Brasil às ruas de Londres e Milão, o premiadíssimo escritor italiano revela os segredos internos e as conexões deste que é possivelmente o mais lucrativo dos mercados globais, e demonstra o fato terrível de que ninguém escapa de seus tentáculos. Ameaçado de morte depois de sua reportagem de fôlego sobre a máfia napolitana, a Camorra (livro posteriormente adaptado, com grande sucesso de bilheteria, para o cinema), Saviano vive há mais de oito anos em endereço desconhecido, sob vigilância cerrada, 24 horas por dia. Nesse período, ganhou intimidade com as polícias e agências de inteligência ao redor do mundo, que lhe franquearam acesso a informações privilegiadas para a redação de Zero Zero Zero.
Um novo tipo de gangue domina as ruas de Nápoles: as "paranzas", grupos de adolescentes que dividem seu tempo entre o Facebook e o video game e circulam com pistolas e AK-47s, aterrorizando os moradores e marcando território para seus chefes, ligados à máfia. Os meninos de Nápoles conta a história da ascensão de uma dessas paranzas e de seu líder, Nicolas Fiorillo, conhecido por amigos e inimigos como o Marajá. Seduzido pela perspectiva de imprimir seu nome na história, ele não medirá esforços para conquistar o bairro de Forcella ― sem levar em conta, porém, que ambição, dinheiro e poder acarretariam consequências inimagináveis. Com toda a vivacidade e a perspicácia que fizeram de Gomorra uma sensação mundial, o premiado escritor Roberto Saviano nos transporta para as violentas terras italianas neste romance de tirar o fôlego.
A beleza e o inferno: entre polos tão opostos ― que evocam o pensamento de Albert Camus ―, estende-se o território frequentado por Roberto Saviano, habitado por sua visão da vida e da arte, e por seu engajamento. Introduzidos por um prefácio do próprio Saviano, os textos aqui reunidos traçam um percurso tão rico e variado quanto reconhecível e coerente. Do rapaz que já dá os primeiros, porém maduros, passos no âmbito da literatura e da militância antimáfia ao escritor consagrado que é convidado para a Academia do Nobel e abraçado pelas vítimas do terremoto em Abruzzo, Roberto Saviano continua sendo ele mesmo. Fala-nos do sobrenatural Lionel Messi, que venceu um gigantesco desafio contra as severas limitações de seu próprio corpo; de Anna Politkovskaia, assassinada porque não havia outro modo de calar sua boca; dos pugilistas de Marcianise, para os quais o suor do ringue tem cheiro de raiva e de redenção; de Miriam Makeba, que foi a Castel Volturno levar solidariedade a seis irmãos africanos, mortos pela mão camorrista; de Enzo Biagi, que, em sua última transmissão, entrevistou Saviano; de Felicia, mãe de Peppino Impastato, que por vinte anos teve que olhar o rosto do assassino do filho, antes de obter justiça; e de tantos outros personagens encontrados na vida ou entre as páginas dos livros, seja na terra sofrida e poluída dos homens, seja nas livres e vastas da literatura.
Não entendem que são coisas que elas não podem decidir. Para onde serão enviados, o que farão. Alguém manda neles. E a vida deles não depende mais deles. O que eu posso fazer para que entendam isso? Elas acreditam que me ouvindo salvarão seus namorados. E por que eu não deveria deixar que pensem isso? Maria tem dezessete anos e já é uma menina viúva. Viu o noivo alistar-se e partir para a guerra no Afeganistão. Para poder se casar com ela e comprar uma casa. Partiu sem treinamento militar, sem saber atirar nem se defender. Como milhares de outros jovens do sul da Itália que não querem trabalhar em canteiros de obras, numa oficina mecânica ou dirigindo caminhões pelas estradas da Europa. Para eles restam poucas opções de uma vida “melhor”: uma delas é alistar-se na primeira guerra que aparece. Enzo ficou com essa opção. Existem fatos que a gente gostaria de esquecer, não gostaria de lembrar nem mesmo o mínimo detalhe. A memória, entretanto, não tem esse poder, ou pelo menos a minha não tem. Existem lugares onde nascer implica ter culpa. Onde o primeiro suspiro e o último catarro têm valor equivalente, o valor da culpa. Vincenzo, 24 anos, pedreiro. Giuseppe, 25 anos, marceneiro. Ambos sabem que a profissão que exercem não lhes dará trégua antes dos quarenta. Pensam em partir de Nápoles e se sentem derrotados por não conseguir partir. Sabem que permanecer significa aceitar o peso da culpa de terem nascido naquele lugar. É domingo e estão reunidos com amigos numa praça da cidade. Não é preciso mais do que isso para ser assassinado. Duas histórias narradas por Roberto Saviano. Histórias em que ele nos mergulha na intimidade de um país que tem muito pouco a oferecer. Um país em constante “guerra”, onde os jovens são condenados, para escapar da miséria, a se alistar no Exército ou na Camorra. Qualquer que seja a escolha, eles não terão futuro melhor que o daqueles que não tiveram coragem de partir.
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