
Na rotina de quem procura literatura brasileira contemporânea com forte presença de memória, identidade, história e reflexão social, os livros de Micheliny Verunschk podem ser uma escolha interessante para leitores que valorizam narrativas densas, linguagem literária elaborada e diferentes perspectivas sobre experiências humanas e acontecimentos coletivos. Escritora brasileira com atuação também ligada à pesquisa e à formação acadêmica, Verunschk construiu uma produção que transita por diferentes gêneros e se destaca pelo diálogo entre criação artística, questões históricas e temas sociais, muitas vezes dando espaço a personagens e vozes que costumam aparecer de forma secundária nos relatos tradicionais. Entre os principais diferenciais de sua escrita estão a intensidade poética, a construção cuidadosa das imagens, o interesse por memória e pertencimento e a capacidade de combinar investigação e ficção sem perder a força narrativa. Seus livros podem agradar tanto a leitores interessados em literatura contemporânea quanto a quem busca obras que provoquem reflexão sobre sociedade, identidade e representação. Na hora da compra, vale observar o gênero da obra, a temática predominante, a editora, o ano e a edição, o formato físico ou digital, a qualidade do acabamento e se o estilo de escrita corresponde ao tipo de leitura desejado. Conheça a seleção dos nossos editores para os melhores livros de Micheliny Verunschk para você comprar online.
Neste romance embebido de lirismo, Micheliny Verunschk joga luz sobre a história de duas crianças indígenas raptadas no Brasil do século XIX. Vencedor do Prêmio Jabuti na categoria “Romance Literário”. Em 1817, Spix e Martius desembarcaram no Brasil com a missão de registrar suas impressões sobre o país. Três anos e 10 mil quilômetros depois, os exploradores voltaram a Munique trazendo consigo não apenas um extenso relato da viagem, mas também um menino e uma menina indígenas, que morreriam pouco tempo depois de chegar em solo europeu. Em seu quinto romance, Micheliny Verunschk constrói uma poderosa narrativa que deixa de lado a historiografia hegemônica para dar protagonismo às crianças ― batizadas aqui de Iñe-e e Juri ― arrancadas de sua terra natal. Entrelaçando a trama do século XIX ao Brasil contemporâneo, somos apresentados também a Josefa, jovem que reconhece as lacunas de seu passado ao ver a imagem de Iñe-e em uma exposição. Com uma prosa embebida de lirismo, este é um livro sem paralelos na literatura brasileira ao tratar de temas como memória, colonialismo e pertencimento. “Um romance que expande as fronteiras da arte literária ao trazer memória, argumentos antropológicos e o melhor que a ficção pode nos oferecer.” ― Itamar Vieira Junior
Muitas áreas da cultura têm se proposto a falar do Antropoceno ― o período vigente, em que o impacto de algumas ações humanas sobre o meio ambiente se mostrou ainda mais destrutivo, quiçá irreversível. A seu modo, cada campo do conhecimento destrincha nossos graves delitos como humanidade que se pensou superior às outras formas de vida, às outras espécies e a determinados grupos entre seus iguais. Mas é na literatura ― sempre ela ― que essas dores ganham corpo e contornos capazes de nos tirar da zona de conforto e nos fazer imaginar mundos possíveis, com relações e ações mais harmoniosas, horizontais e coletivas. Depois do fim reúne um time de grandes autores em ensaios literários que propõem reflexões sobre dilemas atuais ― catástrofe climática, extinção de outras espécies, exclusão social impulsionada pela exploração neoliberal, ameaça aos povos originários, entre outros temas ―, convidando-nos a pensar sobre como tecer, em conjunto, um novo começo.
Micheliny Verunschk é conhecida pela sólida voz poética. Nesse romance de estreia, no prosaico, na história da vida, a poeta também chega para ficar. A personagem Teresa é uma adolescente cujos desejos quase não chegam a sê-los, pois são espontaneamente saciados de saída, como os anseios dos anjos, por isso são anjos. A moça é vidente, opera milagres e vai surgindo líquida, contada por um velho que resiste em dá-la de todo para o leitor. Mas ela chega cada vez mais perto, beatificada pelo Papa e trazendo sim um desejo que a tentou até sua realização, o suicídio. A família tenta esconder, não a vê como santa, o problema é "que é assim que se comportam as notícias de morte, caminhos de pólvora a estalar em alta velocidade". O velho narrador nos lembra: "tenta se esconder até mesmo o que é mais óbvio, o suicídio de Jesus, em Jerusalém, durante aquela longínqua Páscoa de que até hoje se tem notícia". Teresa é filha de pais ateus, que dos milagres operados pela filha nunca tiveram olhos para ver. O pai é leitor de William Faulkner e esconde o sonho de ser um músico virtuoso, a mãe é atleta e ambos são cultores da liberdade, ambos enterraram a filha debaixo dos olhos de quem crê ou não, ali na indiferença da terra que come ladrões, moscas ou santas. O tema da herança já estava no trabalho de Micheliny Verunschk, o vemos no seu livro de poemas, o aclamado Geografia íntima do deserto: "O meu pai/ possuía uma das asas/ muito negra./ E dele herdei/ estas estrelas na testa/ e esta noite excessiva". Aqui, nesse romance arrebatador, acompanhamos o luto da terra que chora de barriga cheia, alimentada por mais suicidas do que assumimos. O narrador reza, mesmo cansado, pois o suicídio é pecado para os homens, não para Deus, para isso agora ele tem uma padroeira. Verunschk olha bem nossos olhos e esclarece devagar: pecado é a santidade.
A Trilogia Infernal, de Micheliny Verunschk, composta pelos capítulos “Aqui, no coração do inferno”, “O peso do coração de um homem” e “O amor, esse obstáculo” entrelaça dois Brasis simultaneamente diferentes e complementares: O Brasil canibal de Cristóvão, marcado pela opressão das disputas pela terra, e o Brasil canibal de Laura, ferido pela Ditadura Militar e pelo pouco apreço à memória. Nesses lugares, tempos, outras histórias, novas violências são compostas e se afetam. Fragmentos de uma terra que muitas vezes demora a se configurar como um país.
Em celebração à vida e à arte de Caetano Veloso, coletânea reúne quinze importantes autores contemporâneos em torno de canções do grande compositor baiano. Vivo muito vivo, organizado por Mateus Baldi, é um tributo que o mundo literário presta a uma das figuras mais importantes da cultura brasileira: Caetano Veloso. Cada autor e autora escolheram uma canção como tema e inspiração. No conto, a canção é explorada, de maneira a ampliar a narrativa, reelaborar a poética ou dar nova vida a personagens icônicos que estão presentes na obra de Caetano Veloso, desde o início dos anos 1960. Edimilson de Almeida Pereira – vencedor dos prêmios Oceanos e São Paulo de Literatura –, por exemplo, reconta a fuga de um refugiado tendo como inspiração "Trem das cores", e Giovana Madalosso – finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura – reimagina a história da "Tigresa", em uma narrativa emocionante de uma protagonista em busca de uma ex-atriz de Hair. Estão aqui, portanto, quinze histórias que reforçam a presença literária de Caetano Veloso. Relembrando grandes sucessos e também composições mais alternativas, os contos de Vivo muito vivo não apenas homenageiam o filho de dona Canô, mas reforçam sua importância literária. Um Caetano Veloso plural, brasileiro, que segue influenciando milhares de pessoas de todas as gerações vivas no Brasil e no mundo.
Este livro de Micheliny Veryunschk é uma obra inovadora e contudente. Bem entende Mário Hélio esta poesia quando diz - ´a dor e o prazer estão enredados no mesmo labirinto, se aninham e se fincam na carne... É emoção concentrada, decantada. Mas com sutis crueldades e poucas concessões... A música deste livro só se ouve bem se se deixa fluir por todo o corpo´, é o que em poucas palavras essa poesia resume tal o poder de sua linguagem poderosamente expressiva e que, por isso, é capaz de congregar simultaneamente o encantamento, a alegria e o prazer próprios de uma poesia verdadeira. É assim que essa pernambucana, de Arcoverde, vai compondo essa bela Geografia íntima do deserto. A obra vem apresentada João Alexandre Barbosa, um dos maiores críticos literários do país, e por Mário Hélio, um dos mais influentes críticos da nova geração no Nordeste.
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