
Para quem deseja compreender melhor os impactos da censura, da repressão política e das limitações à liberdade de expressão durante o século XX no país, os livros proibidos pela Ditadura Militar no Brasil representam registros importantes de resistência cultural, pensamento crítico e produção intelectual brasileira. Entre 1964 e 1985, diversas obras literárias, políticas e jornalísticas foram censuradas por abordarem temas considerados contrários ao regime militar, incluindo críticas ao governo, denúncias de violência, debates sociais e reflexões sobre democracia e direitos humanos. Escritores, jornalistas e intelectuais tiveram livros apreendidos, publicações vetadas e circulação limitada, o que transformou muitas dessas obras em símbolos históricos da luta pela liberdade de expressão no Brasil. Atualmente, esses livros despertam interesse tanto de estudantes e pesquisadores quanto de leitores que desejam conhecer melhor o contexto político e cultural da época por meio de romances, ensaios, reportagens e relatos históricos. Na hora de escolher uma obra sobre o tema, vale observar o contexto histórico apresentado, a abordagem do autor e a relevância documental do conteúdo para uma leitura mais enriquecedora e informativa. Conheça a seleção dos nossos editores para os melhores livros proibidos pela Ditadura Militar no Brasil para você comprar online.
Feliz ano novo, lançado em 1975, teve sua publicação e circulação proibidas em todo o território nacional um ano mais tarde, sendo recolhido pelo Departamento de Polícia Federal, sob a alegação de conter 'matéria contrária à moral e aos bons costumes'. O regime autoritário, que tentava à força encobrir os problemas que compunham a face negra do país, não suportou a linguagem dessa coleção de contos que podem traduzir ficcionalmente a verdadeira fratura exposta do corpo social.
Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes. Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.
O casamento, única obra de Nelson Rodrigues escrita originalmente como romance, foi também o primeiro livro a ser censurado num Brasil sob a ditadura militar, em 1966. O governo viu um ataque à sagrada instituição da família brasileira onde, na verdade, o que havia era um retrato fiel de uma sociedade em franca decadência, como mostram os textos de apoio que Bárbara Paz e Paulo Werneck escreveram para esta edição. Por trás dos personagens desta história ― um ilibado pai de família de classe média alta, jovens descobrindo a vida, mulheres honestas e castas ―, escondem-se desejos e tragédias desmesuradas, além de eventos que eles gostariam de ver perdidos no tempo, mas que voltam para cobrar a conta. Toda intenção politicamente correta numa realidade urbana à beira do abismo é demolida pela pena de Nelson, que lança luz sobre uma hipocrisia que nossa vista, por si mesma, é incapaz de alcançar.
Estamos diante de um livro que assombrou o Brasil durante a ditadura e continua fascinando as novas gerações pela ousadia e pelas inovações. Para dar uma dimensão de tal impacto, nada melhor do que a palavra de Armindo Blanco, jornalista e crítico de semana, que combateu Salazar, teve de se exilar e aqui morreu: "Espantoso romance. Às vezes, dá a impressão de uma reportagem crua, despojada. Outras, de um filme correndo à velocidade de um milhão de imagens por segundo. Ignácio de Loyola Brandão supera o âmbito do individual para nos dar o retrato de corpo inteiro de uma cidade. De um parque industrial. De um caldeirão fervente de raças. De um país. De um continente. Melhor ainda: de um tempo desvairado, com os homens se transmudando em ratos e perdendo o sentido da própria existência. Ele nos transmite repulsa e fascínio por esse universo selvagem, dominado pelo dinheiro e pela solidão e em que mesmo o amor é uma proposta de aniquilação mútua, a fuga à abjeção. A ordem na desordem, a desordem das palavras".
A teoria da revolução, para ser algo de efetivamente prático na condução dos fatos, será simplesmente - mas não simplisticamente - a interpretação da conjuntura presente e do processo histórico de que resulta. Processo esse que na sua projeção futura dará cabal resposta às questões pendentes. É nisso que consiste fundamentalmente o método dialético. Método de interpretação, e não receituário de fatos, dogma, enquadramento da evolução histórica dentro de esquemas abstratos preestabelecidos.
Nos primeiros um milhão e meio de anos de História da humanidade, as mulheres eram o gênero predominante. Por isso, não havia guerras e a natureza era tratada como fonte de vida. Nos últimos quinhentos mil anos, os homens passam a ser o gênero predominante e os grupos humanos começam a lutar uns com os outros, em busca de mais território e de mais caça. Quando se inicia a História, quatro mil anos atrás, formam-se os primeiros estados e os Impérios da Antiguidade. O poder é atribuição dos homens e as mulheres ficam reduzidas às suas funções de procriadoras no âmbito doméstico. Só nos dias de hoje essa divisão é rompida e o masculino e o feminino passam a ter outras funções. Descubra quais são elas e como esta incrível e fascinante História vem se desenvolvendo ao longo dos milênios.
De acordo com o Dicionário Houaiss, palavrão é palavra grosseira e/ou obscena, bocagem, impropriedade, linguarada, obscenidade, pachouchada, palavrada, porcaria, turpilóquio. O 'Dicionário do Palavrão e Termos Afins' apresenta aos brasileiros os palavrões característicos de todas as regiões do País. Ou seja, a obra busca nacionalizar a cultura popular, como por exemplo, levar o palavrão típico do Amazonas ao conhecimento da população do Rio Grande do Sul.
Prefácio de Alice Cherki. Prefácio de Jean-Paul Sartre. Posfácio de Mohammed Harbi. Grande clássico do terceiromundismo, obra capital e testamento político de Frantz Fanon, sua análise do traumatismo do colonizado no seio do sistema utópico de um terceiro mundo revolucionário, habitado por um "homem novo", serve ainda hoje de inspiração e referência para gerações de militantes anticolonialistas.
A primeira pesquisa realizada por uma mulher sobre mulheres - e o resultado de uma serie de inqueritos com garantia de anonimato das entrevistadas que envolve uma nova teorizacao do orgasmo feminino.Publicado pela primeira vez nos EUA em 1976, o impacto foi tal que o Relatorio Hite e considerado um dos 100 livros fundamentais do seculo XX. A obra e editada em Portugal em 1978 e, recentemente, chegou a China, onde os manuais de Educacao Sexual contem transcricoes e reproducoes parciais sem autorizacao da autora.
Romance escrito nas cadeias da repressão política, por um ex-militante político, trata da resistência armada ao governo militar brasileiro dos anos 70. O livro é - no dizer do seu autor - uma "reflexão emocionada, porque tenta captar a tensão, o clima, as esperanças imensas, o ódio e o desespero" que marcaram uma tentativa política desesperada e extrema em nosso país. Uma discussão em torno da guerrilha urbana que eclodiu em nosso país entre 1968 e 1973, em torno da militância política dentro das condições dadas pela época.
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